sábado, 28 de julho de 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Nadador!

A morte que nós conhecemos nunca é a nossa. Apenas conhecemos a morte do outro. É vão temer a morte, pois enquanto estivermos vivos ela não estará aí e quando ela chegar, não estaremos mais aí. "A morte não é nada que diga respeito a nós", Epícuro, filósofo Grego (341-270 a.C.).

Se a morte de um outro desconhecido pode até parecer indiferente, a morte de um amigo ou de um ente querido é, ao contrário, quase a nossa própria morte: insubstituível e inconsolável. Mas "quase" ainda não é suficiente. Toda tristeza do luto não se compara com a angústia da minha própria morte. 

Tio Isaac no Campo Limpo (Foto: Márcia Gazzola)

O momento do parto seria o equivalente à nossa primeira morte, no sentido simbólico, pois representa a ruptura ao aconchego, o começo de uma vivência em contante mudança, falta do calor e dos nutrientes, sensação de fome e frio, e a necessidade de se adaptar às mudanças.
    Poema do nadador
    A água é falsa, a água é boa.
    Nada, nadador!
    A água é mansa, a água é doida,
    aqui é fria, ali é morna,
    a água e fêmea.
    Nada, nadador!
    A água sobe, a água desce,
    a água é mansa, a água é doida.
    Nada, nadador!
    A água te lambe, a água te abraça
    a água te leva, a água te mata.
    Nada, nadador!
    Senão, que restara de ti, nadador?
                                     Nada, nadador.


    Jorge de Lima

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tempestade passa.

Esta é a sequência de 8 fotos que tirei de uma tempestade. Foram 30 min de tirar o fôlego. Reparem o vendaval. Um fenômeno impressionante. Café sem nada compartilha com vocês, boa diversão! O texto vem de um livro chamado "Explicando a filosofia com arte" e vai muito bem com a Banda Constantina:

O Medo é o começo da sabedoria para Heidegger. Entretanto, existe sabedoria também em correr riscos. O filósofo francês Georges Bataille (1897-1962) defende a "soberaneidade" como uma espécie de relação alternetiva com a morte.
Na teoria de Bataille, entretanto, o soberano não é aquele que simplesmente detém o poder, mas aquele que o exerce. A atitude soberana consiste basicamente em uma recusa a toda a preocupação excessiva com o futuro, a todo o cálculo de consequências, à necessidade de certezas e garantias.
Em vez de se escravizar ao futuro, o homem soberano prefere deixar se envolver pela imediatez do instante. Alheio ao medo, o soberano prefere correr perigos, pois sabe que somente no risco da morte a vida é efetivamente vivida e não apenas conservada. Correr perigo é aceitar o tempo do inesperado, despreocupado da necessidade e da conveniência de suas ações, sem ter em vista nada para além da própria existência.
A sabedoria do medo (Heidegger) e a atitude soberana (Bataille) são, portanto, dois aspectos complementares do mesmo impulso para a vida.
Para exercer o pensamento mortal é preciso primeiro escolher ser mortal. Trata-se de uma situação ambivalente: nós não podemos perder a marca da morte, pois ela nos constitui essencialmente; nós somos como condenados a ela. Mas ao mesmo tempo a condição de mortal não é dada, impõe-se conquistá-la, tornar possível seu vir-a-ser e até descobrir a alegria que lhe é inerente.
Somos intelectualmente capazes de compreender a morte, mas afetivamente incapazes de lidar com essa verdade. Parece haver apenas duas alternativas: ou nos regozijamos, esquivando-nos dos pensamentos sobre a morte, ou somos conscientes, sacrificando nossa necessidade de ser felizes. Parece que toda alegria pressupõe uma certa ignorância, ou, ao contrário, que toda sabedoria implica uma infelicidade crônica. O desafio filosófico último é o ultrapassamento desse impasse, afirmando um tipo de alegria que não nasça da ignorância e de um tipo de consciência que não precise se revestir de melancolia. 
Essa atitude paradoxal é o cerne de um "pensamento mortal". Não há receita para obter essa "ciência alegre", mas também não há nenhuma lei que a proíba. A capacidade de permitir que essa alegria profunda brote, mesmo sabendo que a existência é passageira, ou melhor, por causa mesmo dessa transitoriedade, constitui a "prova dos nove" de uma filosofia vista sob a ótica da vida.
Sem a alegria talvez não fosse possível viver uma vida saudável e criativa. Trata-se de uma espécie de loucura, que nos protege de outras loucuras, aquelas que nos enfraquecem e nos fazem adoecer.
Atualmente reina uma certa visão de que a filosofia é uma espécie de estraga prazeres ou de "exterminadora de festas". Nem sempre foi assim. O filosofo grego Pitágoras comparava a própria vida como uma grande festa, em que alguns vinham para fazer negócios ou para competir, outros, para olhar de modo diferente para a realidade e pensar.
Conta-se também que ele costumava promover grandes banquetes quando tinha boas idéias. Surge então as questões: Qual foi a última vez que celebramos alguma boa ideia? Nossas ideias tem sido boas o suficiente para suscitar comemorações? Mora na filosofia? A festa do pensamento só está para começar. 

Moral: "No começo era a verba." Millor

Bibliografia: Explicando a Filosofia com Arte. Charles Feitosa, Ediouro, 2004.

terça-feira, 20 de março de 2012

fácil.

Decidir nunca é fácil.
Há caminhos que não devem ser trilhados.
(Foto: Miguel Aun)

Como agir e pensar ao mesmo tempo?
(Foto: Miguel Aun)

Há aqueles que ousam trilhar caminhos nunca antes enveredados.
Bela homenagem ao nosso querido fotógrafo Miguel Aun no festival de fotografia de Tiradentes/MG.


sexta-feira, 9 de março de 2012

sobre a Rio+20.

Para começar, não é uma conferência de "Meio-ambiente", é uma conferência de "Economia". Também não é uma conferência de "Mercado", é um conferência para acordos políticos que reduzam a destruição do ambiente através do controle das 'Falhas de mercado' relacionadas a poluição e a destruição do ambiente.


Há ainda aqueles que pretendem transformar o Ambientalismo em uma Religião, que há espaço para idealismo, dogmatismo, moral ambientalista cristã, ou o que for. Acho que ignorar ou querer mudar a natureza humana seria loucura. Prudência, muita prudência, pois as questões são complexas e só surtirão algum efeito se realizadas globalmente. O caminho é longo, os resultados incertos, o problema imenso. A humanidade é nosso grande poder transformador e também nosso maior obstáculo. Mas há possibilidades.

Maquiavel dizia que o homem de Virtú pode sim conquistar a Fortuna. Porém, não cabe nesta imagem a ideia da virtude cristã que prega uma bondade angelical alcançada pela libertação das tentações terrenas, sempre a espera de recompensas do céu. Ao contrário, o poder, a honra e a glória, típicas tentações mundanas, são bens perseguidos e valorizados. O homem de virtú pode consegui-los e por eles luta. Não se trata mais apenas da força bruta, da violência, mas da sabedoria do uso da força, da utilização virtuosa da força.

A política tem uma ética e uma lógica próprias. Maquiavel descortina um horizonte para se pensar e fazer política que não se enquadra no tradicional moralismo piedoso. Maquiavel é incisivo: há vícios que são virtudes. A força explica o fundamento do poder, porém é a posse de virtú a chave por excelência do sucesso do príncipe.

Para concluir, são necessários príncipes de virtú para dialogar na Rio+20. 

Fonte:
1) http://www.rio20.gov.br/
2) http://www.ceap.br/artigos/ART13102011193159.pdf
Nicolau Maquiavel: O cidadão sem fortuna, o intelectual de virtú.
autor: Maria Tereza Sadek.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Intolerável l.

Tolerar é aceitar o que poderia ser condenado, é deixar de fazer o que se poderia impedir ou combater. Portanto, é renunciar a uma parte de seu poder, de sua força, de sua cólera. Tolerar é se responsabilizar. A tolerância que responsabiliza o outro não é mais tolerância: é egoísmo, é indiferença, ou pior. Tolerar Hitler era ser seu cúmplice, pelo menos por omissão, por abandono, e essa tolerância já seria colaboração. Antes a fúria, o ódio ou a violência do que essa passividade diante do horror. Uma tolerância do universal seria tolerância do atroz. Atroz tolerância! Assim, levada ao extremo, a tolerância acaba por negar a si mesma, pois deixaria livres as mãos dos que querem suprimi-la. A tolerância só vale, então, a certos limites, que são os de sua salvaguarda e manutenção de suas condições de possibilidade. É o que Karl Popper chama de paradoxo da tolerância: "se formos de uma tolerância extrema, mesmo para os intolerantes, e se não defendermos a sociedade tolerante contra seus assaltos, os tolerantes serão aniquilados, e com eles a tolerância".

"A Doutrina do Choque" 1/6 : http://www.youtube.com/watch?v=NBfzp74FDAU

Se não devemos tolerar tudo, pois seria destinar a tolerância à sua perda, também não se pode renunciar a toda e qualquer tolerância para com aqueles que não a respeitam. Uma democracia que proibisse a todos os partidos não democráticos seria muito pouco democrática, assim como uma democracia que os deixasse fazer tudo e qualquer coisa seria condenável, pois renunciaria a defender o direito pela força, quando necessário, e a liberdade pela coerção. O que deve determinar a tolerabilidade de determinado indivíduo ou grupo é a sua periculosidade efetiva: só devem ser proibidos se e na medida em que ameaçam efetivamente a liberdade ou as condições de possibilidade da própria tolerância.

Democracia não é fraqueza. Tolerância não é passividade.

A cada tipo de governo seu princípio, dizia Montesquieu: como uma monarquia funciona com base da honra, uma república na virtude e um despotismo no temor, o totalitarismo, acrescenta Hannah Arendt, funciona com base na ideologia de uma pseudo verdade. É por isso que o totalitarismo é intolerante, porque essa "verdade" não se discute. É a tirania do verdadeiro. É por isso que toda intolerância tende ao totalitarismo ou, em matéria religiosa ao integrismo: não se pode pretender impor seu ponto de vista a não ser em nome de uma suposta verdade. O que é a tolerância? Alain respondia: "Uma espécie de sabedoria que supera o fanatismo, esse temível amor à verdade".


"A Doutrina do Choque" 2/6 : http://www.youtube.com/watch?v=F6aRiwts0nY&feature=related

O totalitarismo começa como dogmatismo (pretende que a verdade lhe dê razão e justifique seu poder) e termina como sofística (chama de "verdade" o que justifica seu poder lhe dando razão). O certo é que a verdade, ainda que fundada na ciência, nunca governa, nem pode dizer o que deve ser feito, nem proibido. A verdade não obedece e é por isso que ela é livre. Mas tampouco comanda e é por isso que nós o somos.

A tolerância só se coloca nas questões de opinião. Ora, o que é a opinião senão uma crença incerta ou subjetiva? O católico pode muito bem, subjetivamente, estar certo da verdade do catolicismo. Mas, se ele é intelectualmente honesto (se ama a verdade mais que a certeza) deve reconhecer que é incapaz de convencer um protestante, um ateu ou um muçulmano, ainda que cultos, inteligentes e de boa-fé. Cada um por mais que esteja convencido de ter razão, deve admitir que não tem condições de prová-lo... A tolerância, como virtude, funda-se assim em nossa fraqueza teórica, isto é, na nossa incapacidade de alcançarmos o absoluto.

"A Doutrina do Choque" 3/6 : http://www.youtube.com/watch?v=dLzJ20-uUZQ


Bibliografia:
André Comte-Sponville
Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
Martins Fontes
1999

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Radioativado.

Angra 1, 2, 3, Fukushima 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7!
Notícias de15 de Março de 2011, reator 3 de Fukushima explode, e agora, Miguel?


...


)))


Moral:???

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Impactante.

Sun Tzu disse:
A guerra é o caminho da paz.

A arte é o caminho da humanização? Beam drop nos mostra que a humanidade pode ser tão impactante quanto necessitar. Sun Tzu disse, a batalha é como o rolar pedras e toras de mil ren' de altura.


Beam drop, chinese Art of War at Inhotim Museum of Art, é um ótimo exemplo disso.






Moral: "Quanto mais sublimes forem as verdades mais prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, transformam-se em lugares comuns e as pessoas nunca mais acreditam nelas." - Nicolau Gogol


Fontes:
http://pt.wiktionary.org/wiki/sublime
http://pt.wiktionary.org/wiki/prudência
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Arte_da_Guerra
http://www.inhotim.org.br/
http://www.inhotim.org.br/novenovosdestinos/pt/obras_chris-burden.html#topo
http://www.inhotim.org.br/novenovosdestinos/eng/work_chris-burden.html#topo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Entediado

Se entregar ao tédio necessita coragem;
Pois o tédio nos coloca diante de nós mesmos;
 Seres que nascem e morrem sem saber porque.
Evite atitudes evasivas, distrações, televisão, música, conversas, passatempos.
Cuidado: se entregar ao tédio pode ser mais perigoso que pular de paraquedas.

Moral: "O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte".
Was mich nicht umbringt, macht mich stärker.
Friedrich Nietzsche, Götzen-Dämmerung - Sprüche und Pfeile, 8