Para começar, não é uma conferência de "Meio-ambiente", é uma conferência de "Economia". Também não é uma conferência de "Mercado", é um conferência para acordos políticos que reduzam a destruição do ambiente através do controle das 'Falhas de mercado' relacionadas a poluição e a destruição do ambiente.
Há ainda aqueles que pretendem transformar o Ambientalismo em uma Religião, que há espaço para idealismo, dogmatismo, moral ambientalista cristã, ou o que for. Acho que ignorar ou querer mudar a natureza humana seria loucura. Prudência, muita prudência, pois as questões são complexas e só surtirão algum efeito se realizadas globalmente. O caminho é longo, os resultados incertos, o problema imenso. A humanidade é nosso grande poder transformador e também nosso maior obstáculo. Mas há possibilidades.
Maquiavel dizia que o homem de Virtú pode sim conquistar a Fortuna. Porém, não cabe nesta imagem a ideia da virtude cristã que prega uma bondade angelical alcançada pela libertação das tentações terrenas, sempre a espera de recompensas do céu. Ao contrário, o poder, a honra e a glória, típicas tentações mundanas, são bens perseguidos e valorizados. O homem de virtú pode consegui-los e por eles luta. Não se trata mais apenas da força bruta, da violência, mas da sabedoria do uso da força, da utilização virtuosa da força.
A política tem uma ética e uma lógica próprias. Maquiavel descortina um horizonte para se pensar e fazer política que não se enquadra no tradicional moralismo piedoso. Maquiavel é incisivo: há vícios que são virtudes. A força explica o fundamento do poder, porém é a posse de virtú a chave por excelência do sucesso do príncipe.
Para concluir, são necessários príncipes de virtú para dialogar na Rio+20.
Fonte:
1) http://www.rio20.gov.br/
2) http://www.ceap.br/artigos/ART13102011193159.pdf
Nicolau Maquiavel: O cidadão sem fortuna, o intelectual de virtú.
autor: Maria Tereza Sadek.