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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
1o Curta Café.
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Zéfiro Explícito
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Nunca.
Comi mosca, tenho certeza, comi mosca.
Acreditei em algo, que sabia intuitivamente que era mentira. Talvez tenha acertado em algum ponto, porque havia uma certa sintonia. A Anne, que nos primeiros dias era aberta, depois de conversar ela se fechou, não me deu espaço, senti que ela via em mim algo incomum, era uma coisa estranha, o pouco que convivi com ela foi o suficiente para saber muito dela.
Comi mosca, é a sensação que tenho agora, porque já passou da hora. Não, queria te-la conhecido de verdade. Era uma pessoa encantadora que me fez rir e pensar.
Depois que ela sumiu do grupo ficamos preocupados. Então várias pessoas escreveram pra ela e quando ela me respondeu me deu um certo alívio. Acho que foi aí que eu comi mosca, eu sinto isso.
3 messages
Felipe Palma <felipelima41@gmail.com> Wed, Sep 12, 2012 at 1:26 PM
To: "annebcarvalho@gmail.com" <annebcarvalho@gmail.com>
Oi Annelise, tudo bem? Queremos saber notícias suas, pq não apareceu nas últimas aulas. Estamos preocupados. Mande notícias para o grupo, ok? grande abraço,
Felipe
Anneliese Carvalho <annebcarvalho@gmail.com> Sat, Sep 15, 2012 at 4:25 PM
To: Felipe Palma <felipelima41@gmail.com>
Querido Felipe, muito obrigada pelo carinho e preocupação. Não andei muito bem de saúde, mas assim que melhorar e puder, voltarei. Manda um GRANDE beijo para o grupo todo.
Anne
Em 12 de setembro de 2012 13:26, Felipe Palma <felipelima41@gmail.com> escreveu:
[Quoted text hidden]
Felipe Palma <felipelima41@gmail.com> Fri, Sep 28, 2012 at 8:38 AM
To: Anneliese Carvalho <annebcarvalho@gmail.com>
Anne, o que houve? abraço, Felipe
2012/9/15 Anneliese Carvalho <annebcarvalho@gmail.com>:
Meus sentimentos aos amigos e familiares da Anne.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Haverá a fazer?
O Homem como prisioneiro do tempo
As mortes simbólicas
Em versos de Frederic Pearls, talvez essa ideia fique um pouco mais simples:
Fontes:
Cinema Secreto: CineGnose: (http://cinegnose.blogspot.com.br/2011/05/uma-trilogia-do-tempo-1-filme-feitico.html#more)
Filosofando: Introdução à Filosofia (1993)
Análise Transacional aplicada ao Trabalho (internet: http://www.emco.com.br/PDF/analise_transacional.pdf)
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0107048/
No filme “Feitiço do Tempo”, que aparentemente é apenas uma comédia romântica com várias exibições nas chamadas sessões da tarde na TV brasileira, aos poucos foi tornando-se um filme cultuado, principalmente pela originalidade do roteiro de Danny Rubin. (do blog CINEMA SECRETO.cinegnose: http://cinegnose.blogspot.com.br/2011/05/uma-trilogia-do-tempo-1-filme-feitico.html#more)
Numa breve sinopse: desse filme (Original: Groundhog Day, 1993), Phil é um jornalista que acorda sempre no mesmo dia, ele é imortal! No entanto, ele muda a forma de perceber esse dia, como as pessoas mudam ao longo da vida e aprende a viver como se o dia mudasse quando ele quisesse, deixa de querer controlar, manipular, brigar, e deseja uma vida simples e tranquila e aprende a querer se desenvolver como ser humano.
Vejamos uma breve análise do filme: " a primeira reação de Phil ao descobrir que estava aprisionado em um bizarro fenômeno temporal é de pânico e medo (assim como quando nascemos para esse mundo). Então, Phil é estranhamente atraído pela produtora (uma das pessoas que mais tratava com desdém) ao vê-la como alguém que poderia ajudá-lo. Depois Phil descobre que, afinal, é imortal e que tudo o que fizer não terá consequências já que tudo recomeçará a partir do zero. Ele torna-se uma criança irresponsável, faz tudo que quer, não importando as consequências. É a fase infantil do ser humano.
Mais tarde, Phil entra na fase da razão: ele começa a aprender as regras do jogo e torna-se um manipulador já que consegue prever o “futuro” dos acontecimentos. Antecipa o que as pessoas dirão ou farão. Por isso, torna-se um sedutor. Acha que é um deus em seu pequeno cosmos, e tenta seduzir Rita, a mulher que na verdade ama desde o início. Tudo dá errado quando Rita desconfia da personalidade manipuladora de Phil.
Frustrado, todo o jogo se desmorona e perde a graça. Phil entra em depressão e tenta o suicídio diversas vezes, mas sempre volta ao início do mesmo dia: é o desespero gnóstico da “imortalidade” espiritual no cosmos físico. A morte não representa a libertação, pois a reencarnação nos faz retornar a esse mundo do qual somos prisioneiros (sobre o ponto de vista gnóstico da reencarnação veja links abaixo).
A melancolia de Phil leva-o à gnose: descobre que tudo o que deve aprender naquela situação não deve ser usado como fosse uma divindade manipuladora, mas sim como ensinamentos para melhorá-lo interiormente. Sua “vidência” é usada para ajudar as pessoas, aprende novos talentos (como tocar piano) até conseguir o amor de Rita ao conhecer o verdadeiro Phil, não mais aquele Phil arrogante dos boletins meteorológicos da emissora de TV."
"O homem não tem, contudo, consciência apenas da morte enquanto fim da sua vida. O conceito de finitude o acompanha em tudo que faz: é significativa a imagem mítica do deus Cronos (Tempo) devorando os próprios filhos.
A morte, como clímax de um processo, é antecedida por diversas formas de "morte" que permeiam o tempo todo a vida humana. O próprio nascimento é a primeira morte, no sentido de ser a primeira perda, a primeira separação. Rompido o cordão umbilical, a antiga e cálida simbiose do feto no útero materno é substituída pelo enfrentamento do novo ambiente.
A oposição entre o velho e o novo repete indefinitivamente a primeira ruptura e explica a angústia do homem diante do seu próprio dilaceramento interno: ao mesmo tempo que anseia pelo novo, teme abandonar o conforto e a segurança da estrutura antiga a que já se habituou.
Os heróis, os santos, os artistas, os revolucionários são sempre os que se tornam capazes de enfrentar o desafio da morte, tanto no sentido literal como no simbólico, por serem capazes de construir o novo a partir da superação da velha ordem."
Em versos de Frederic Pearls, talvez essa ideia fique um pouco mais simples:
“Eu faço minhas coisas e você faz as suas,
Não estou neste mundo para viver de acordo
com suas expectativas,
e você não está neste mundo para viver de
acordo com as minhas.
Você é você e eu sou eu se por acaso
Nos encontrarmos, será lindo.
Se não, nada haverá a fazer”.
Fontes:
Cinema Secreto: CineGnose: (http://cinegnose.blogspot.com.br/2011/05/uma-trilogia-do-tempo-1-filme-feitico.html#more)
Filosofando: Introdução à Filosofia (1993)
Análise Transacional aplicada ao Trabalho (internet: http://www.emco.com.br/PDF/analise_transacional.pdf)
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0107048/
sábado, 28 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Oscar Niemeyer hermético 11.julho.2012
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Local:
Belo Horizonte - MG, Brasil
terça-feira, 12 de junho de 2012
Nadador!
A morte que nós conhecemos nunca é a nossa. Apenas conhecemos a morte do outro. É vão temer a morte, pois enquanto estivermos vivos ela não estará aí e quando ela chegar, não estaremos mais aí. "A morte não é nada que diga respeito a nós", Epícuro, filósofo Grego (341-270 a.C.).
Se a morte de um outro desconhecido pode até parecer indiferente, a morte de um amigo ou de um ente querido é, ao contrário, quase a nossa própria morte: insubstituível e inconsolável. Mas "quase" ainda não é suficiente. Toda tristeza do luto não se compara com a angústia da minha própria morte.
Tio Isaac no Campo Limpo (Foto: Márcia Gazzola)
O momento do parto seria o equivalente à nossa primeira morte, no sentido simbólico, pois representa a ruptura ao aconchego, o começo de uma vivência em contante mudança, falta do calor e dos nutrientes, sensação de fome e frio, e a necessidade de se adaptar às mudanças.
- Poema do nadador
- A água é falsa, a água é boa.
Nada, nadador!
A água é mansa, a água é doida,
aqui é fria, ali é morna,
a água e fêmea.
Nada, nadador!
A água sobe, a água desce,
a água é mansa, a água é doida.
Nada, nadador!
A água te lambe, a água te abraça
a água te leva, a água te mata.
Nada, nadador!
Senão, que restara de ti, nadador?
Nada, nadador.
Jorge de Lima
- Do livro: "Poemas - Jorge de Lima" [selecão de Gilberto Mendonca Teles] , Global Editora e Distr. Ltda, 1994, SP
(http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/p01/p010677.htm)
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Tempestade passa.
Esta é a sequência de 8 fotos que tirei de uma tempestade. Foram 30 min de tirar o fôlego. Reparem o vendaval. Um fenômeno impressionante. Café sem nada compartilha com vocês, boa diversão! O texto vem de um livro chamado "Explicando a filosofia com arte" e vai muito bem com a Banda Constantina:
O Medo é o começo da sabedoria para Heidegger. Entretanto, existe sabedoria também em correr riscos. O filósofo francês Georges Bataille (1897-1962) defende a "soberaneidade" como uma espécie de relação alternetiva com a morte.
Na teoria de Bataille, entretanto, o soberano não é aquele que simplesmente detém o poder, mas aquele que o exerce. A atitude soberana consiste basicamente em uma recusa a toda a preocupação excessiva com o futuro, a todo o cálculo de consequências, à necessidade de certezas e garantias.
Em vez de se escravizar ao futuro, o homem soberano prefere deixar se envolver pela imediatez do instante. Alheio ao medo, o soberano prefere correr perigos, pois sabe que somente no risco da morte a vida é efetivamente vivida e não apenas conservada. Correr perigo é aceitar o tempo do inesperado, despreocupado da necessidade e da conveniência de suas ações, sem ter em vista nada para além da própria existência.
A sabedoria do medo (Heidegger) e a atitude soberana (Bataille) são, portanto, dois aspectos complementares do mesmo impulso para a vida.
Para exercer o pensamento mortal é preciso primeiro escolher ser mortal. Trata-se de uma situação ambivalente: nós não podemos perder a marca da morte, pois ela nos constitui essencialmente; nós somos como condenados a ela. Mas ao mesmo tempo a condição de mortal não é dada, impõe-se conquistá-la, tornar possível seu vir-a-ser e até descobrir a alegria que lhe é inerente.
Somos intelectualmente capazes de compreender a morte, mas afetivamente incapazes de lidar com essa verdade. Parece haver apenas duas alternativas: ou nos regozijamos, esquivando-nos dos pensamentos sobre a morte, ou somos conscientes, sacrificando nossa necessidade de ser felizes. Parece que toda alegria pressupõe uma certa ignorância, ou, ao contrário, que toda sabedoria implica uma infelicidade crônica. O desafio filosófico último é o ultrapassamento desse impasse, afirmando um tipo de alegria que não nasça da ignorância e de um tipo de consciência que não precise se revestir de melancolia.
Essa atitude paradoxal é o cerne de um "pensamento mortal". Não há receita para obter essa "ciência alegre", mas também não há nenhuma lei que a proíba. A capacidade de permitir que essa alegria profunda brote, mesmo sabendo que a existência é passageira, ou melhor, por causa mesmo dessa transitoriedade, constitui a "prova dos nove" de uma filosofia vista sob a ótica da vida.
Sem a alegria talvez não fosse possível viver uma vida saudável e criativa. Trata-se de uma espécie de loucura, que nos protege de outras loucuras, aquelas que nos enfraquecem e nos fazem adoecer.
Atualmente reina uma certa visão de que a filosofia é uma espécie de estraga prazeres ou de "exterminadora de festas". Nem sempre foi assim. O filosofo grego Pitágoras comparava a própria vida como uma grande festa, em que alguns vinham para fazer negócios ou para competir, outros, para olhar de modo diferente para a realidade e pensar.
Conta-se também que ele costumava promover grandes banquetes quando tinha boas idéias. Surge então as questões: Qual foi a última vez que celebramos alguma boa ideia? Nossas ideias tem sido boas o suficiente para suscitar comemorações? Mora na filosofia? A festa do pensamento só está para começar.
Moral: "No começo era a verba." Millor
Bibliografia: Explicando a Filosofia com Arte. Charles Feitosa, Ediouro, 2004.
terça-feira, 20 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
sobre a Rio+20.
Para começar, não é uma conferência de "Meio-ambiente", é uma conferência de "Economia". Também não é uma conferência de "Mercado", é um conferência para acordos políticos que reduzam a destruição do ambiente através do controle das 'Falhas de mercado' relacionadas a poluição e a destruição do ambiente.
Há ainda aqueles que pretendem transformar o Ambientalismo em uma Religião, que há espaço para idealismo, dogmatismo, moral ambientalista cristã, ou o que for. Acho que ignorar ou querer mudar a natureza humana seria loucura. Prudência, muita prudência, pois as questões são complexas e só surtirão algum efeito se realizadas globalmente. O caminho é longo, os resultados incertos, o problema imenso. A humanidade é nosso grande poder transformador e também nosso maior obstáculo. Mas há possibilidades.
Maquiavel dizia que o homem de Virtú pode sim conquistar a Fortuna. Porém, não cabe nesta imagem a ideia da virtude cristã que prega uma bondade angelical alcançada pela libertação das tentações terrenas, sempre a espera de recompensas do céu. Ao contrário, o poder, a honra e a glória, típicas tentações mundanas, são bens perseguidos e valorizados. O homem de virtú pode consegui-los e por eles luta. Não se trata mais apenas da força bruta, da violência, mas da sabedoria do uso da força, da utilização virtuosa da força.
A política tem uma ética e uma lógica próprias. Maquiavel descortina um horizonte para se pensar e fazer política que não se enquadra no tradicional moralismo piedoso. Maquiavel é incisivo: há vícios que são virtudes. A força explica o fundamento do poder, porém é a posse de virtú a chave por excelência do sucesso do príncipe.
Para concluir, são necessários príncipes de virtú para dialogar na Rio+20.
Fonte:
1) http://www.rio20.gov.br/
2) http://www.ceap.br/artigos/ART13102011193159.pdf
Nicolau Maquiavel: O cidadão sem fortuna, o intelectual de virtú.
autor: Maria Tereza Sadek.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Intolerável l.
Tolerar é aceitar o que poderia ser condenado, é deixar de fazer o que se poderia impedir ou combater. Portanto, é renunciar a uma parte de seu poder, de sua força, de sua cólera. Tolerar é se responsabilizar. A tolerância que responsabiliza o outro não é mais tolerância: é egoísmo, é indiferença, ou pior. Tolerar Hitler era ser seu cúmplice, pelo menos por omissão, por abandono, e essa tolerância já seria colaboração. Antes a fúria, o ódio ou a violência do que essa passividade diante do horror. Uma tolerância do universal seria tolerância do atroz. Atroz tolerância! Assim, levada ao extremo, a tolerância acaba por negar a si mesma, pois deixaria livres as mãos dos que querem suprimi-la. A tolerância só vale, então, a certos limites, que são os de sua salvaguarda e manutenção de suas condições de possibilidade. É o que Karl Popper chama de paradoxo da tolerância: "se formos de uma tolerância extrema, mesmo para os intolerantes, e se não defendermos a sociedade tolerante contra seus assaltos, os tolerantes serão aniquilados, e com eles a tolerância".
Se não devemos tolerar tudo, pois seria destinar a tolerância à sua perda, também não se pode renunciar a toda e qualquer tolerância para com aqueles que não a respeitam. Uma democracia que proibisse a todos os partidos não democráticos seria muito pouco democrática, assim como uma democracia que os deixasse fazer tudo e qualquer coisa seria condenável, pois renunciaria a defender o direito pela força, quando necessário, e a liberdade pela coerção. O que deve determinar a tolerabilidade de determinado indivíduo ou grupo é a sua periculosidade efetiva: só devem ser proibidos se e na medida em que ameaçam efetivamente a liberdade ou as condições de possibilidade da própria tolerância.
Democracia não é fraqueza. Tolerância não é passividade.
A cada tipo de governo seu princípio, dizia Montesquieu: como uma monarquia funciona com base da honra, uma república na virtude e um despotismo no temor, o totalitarismo, acrescenta Hannah Arendt, funciona com base na ideologia de uma pseudo verdade. É por isso que o totalitarismo é intolerante, porque essa "verdade" não se discute. É a tirania do verdadeiro. É por isso que toda intolerância tende ao totalitarismo ou, em matéria religiosa ao integrismo: não se pode pretender impor seu ponto de vista a não ser em nome de uma suposta verdade. O que é a tolerância? Alain respondia: "Uma espécie de sabedoria que supera o fanatismo, esse temível amor à verdade".
"A Doutrina do Choque" 2/6 : http://www.youtube.com/watch?v=F6aRiwts0nY&feature=related
O totalitarismo começa como dogmatismo (pretende que a verdade lhe dê razão e justifique seu poder) e termina como sofística (chama de "verdade" o que justifica seu poder lhe dando razão). O certo é que a verdade, ainda que fundada na ciência, nunca governa, nem pode dizer o que deve ser feito, nem proibido. A verdade não obedece e é por isso que ela é livre. Mas tampouco comanda e é por isso que nós o somos.
A tolerância só se coloca nas questões de opinião. Ora, o que é a opinião senão uma crença incerta ou subjetiva? O católico pode muito bem, subjetivamente, estar certo da verdade do catolicismo. Mas, se ele é intelectualmente honesto (se ama a verdade mais que a certeza) deve reconhecer que é incapaz de convencer um protestante, um ateu ou um muçulmano, ainda que cultos, inteligentes e de boa-fé. Cada um por mais que esteja convencido de ter razão, deve admitir que não tem condições de prová-lo... A tolerância, como virtude, funda-se assim em nossa fraqueza teórica, isto é, na nossa incapacidade de alcançarmos o absoluto.
"A Doutrina do Choque" 3/6 : http://www.youtube.com/watch?v=dLzJ20-uUZQ
"A Doutrina do Choque" 1/6 : http://www.youtube.com/watch?v=NBfzp74FDAU
Democracia não é fraqueza. Tolerância não é passividade.
A cada tipo de governo seu princípio, dizia Montesquieu: como uma monarquia funciona com base da honra, uma república na virtude e um despotismo no temor, o totalitarismo, acrescenta Hannah Arendt, funciona com base na ideologia de uma pseudo verdade. É por isso que o totalitarismo é intolerante, porque essa "verdade" não se discute. É a tirania do verdadeiro. É por isso que toda intolerância tende ao totalitarismo ou, em matéria religiosa ao integrismo: não se pode pretender impor seu ponto de vista a não ser em nome de uma suposta verdade. O que é a tolerância? Alain respondia: "Uma espécie de sabedoria que supera o fanatismo, esse temível amor à verdade".
"A Doutrina do Choque" 2/6 : http://www.youtube.com/watch?v=F6aRiwts0nY&feature=related
A tolerância só se coloca nas questões de opinião. Ora, o que é a opinião senão uma crença incerta ou subjetiva? O católico pode muito bem, subjetivamente, estar certo da verdade do catolicismo. Mas, se ele é intelectualmente honesto (se ama a verdade mais que a certeza) deve reconhecer que é incapaz de convencer um protestante, um ateu ou um muçulmano, ainda que cultos, inteligentes e de boa-fé. Cada um por mais que esteja convencido de ter razão, deve admitir que não tem condições de prová-lo... A tolerância, como virtude, funda-se assim em nossa fraqueza teórica, isto é, na nossa incapacidade de alcançarmos o absoluto.
"A Doutrina do Choque" 3/6 : http://www.youtube.com/watch?v=dLzJ20-uUZQ
Bibliografia:
André Comte-Sponville
Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
Martins Fontes
1999
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